O Corvo
Baseado na obra de Edgar Allan Poe, de mesmo nome, O Corvo passa o terror psciológico vivido por um solitário homem, nessa versão produzida e criada por: Diego Rizzo, Guilherme Macedo, Igor Esteves, Priscila Sanches e Renan Zelli.
O Corvo
Por: Igor Esteves
Frio. Ninguém mais, além de um triste e cansado homem, atormentado por fantasmas de memórias, naquele quarto. Em alguns livros busca uma vã fuga. Fuga dos pensamentos e nada mais. O silêncio onde ecoa o barulho de uma mente perturbada. O silêncio destruído por batidas na porta do quarto.
Medo. Hipóteses e terrores saindo aos montes dos gritos dos pensamentos. “Apenas uma visita tardia e nada mais! Apenas uma visita batendo a porta do meu quarto!”. A pulsação acelerada, fantasma da memória esperando atrás daquela porta. A paranóia e a lógica. “Apenas uma visita tardia, ou algo mais”.
Tremendo. “Senhor”, disse “ou senhora. Já tarde me perdia em livros e pensamentos quando bateu a porta do meu quarto”. Levanta-se e ofegante segue à porta. Em segundos que passam em milésimos que não se sentem, alcança a maçaneta que, sem esperar, abre. No corredor, a escuridão sem cores e imagens, mas cheia de visões. Apenas a escuridão e nada mais.
Nas trevas diz o nome dela, o nome daquela memória, que ocupa o seu tempo, que partiu deixando uma marca, que levou sua alma, que se chama Lenora. Apenas um fantasma com muito mais.
Bate a porta para assim voltar à sua solidão, acompanhada pelo tormento. As batidas do coração mal normalizaram e o som, mal se foi quando novamente outro barulho causa o repentino medo. Do vidro da janela vem esse, dessa vez. “Apenas o vento e nada mais”.
Sem hesitar ou muito pensar, abre a janela deixando o vento passar. O vento que assopra algo a mais. Um corvo, que como um vulto, entra no quarto, como um agouro. Voa sem parar ou olhar. Chega ao canto, pousa e nada mais.
Um corvo, preto como a Morte, em contraste com a vida branca da imagem Lenora. “Vem trazendo algo do outro lado. Deve ser o responsável pelos mundos, deve me levar!”. Parado, sóbrio, sem dizer nada. “Qual o seu nome, criatura negra?”, pergunta, e ouve apenas: “Nunca mais”.
Uma mistura de admiração e espanto, sem muita compreensão toma conta de seu espírito, pela clareza de tais palavras. Uma ave da morte, com o nome de “Nunca mais!”.
Amigos, amores, todos vão, todos foram, todos partem. Nem o silêncio e a solidão sempre ficarão, assim como aquela nobre ave partirá. Os olhos malditos do corvo fitando o homem, com sua imensidão e perdição em significados e razões, pensamentos infernais. “Aqui estou e cedo me vou”. Disse o pássaro sombrio o seu mesmo “Nunca mais”.
Palavras tão bem encaixadas em um tormento existencial, vindas de maneira inesperadas e com origem duvidosa. Ensinadas por algum antigo dono ou pelas palavras sopradas no vento que leva o grito dos sozinhos, angustiados e zomba da vida com seu assobio. Vidas levadas para algum lugar, partindo como o vento. E o corvo: “Nunca mais”.
Senta-se o homem, novamente, para pensar sem poder fugir do temível olhar. Lenora fora sua, e juntos viveram. Como era linda, como dançava. A linda dança da morte que escolheu seu par, sem esperar, esse deixa quem o acompanhava. Levada para dançar, “levada dos meus braços”. Sua palidez, “meus gritos, minhas lágrimas”. Lenora, linda Lenora. Para sempre, “Queria mais”.
Oportunos Serafins se mostram, provavelmente trazendo mensagens celestiais. Andam suavemente pelo quarto, devolvendo a um triste coração a esperança de reviver uma memória. “Trazem consigo minha linda Lenora!”. E o sádico corvo diz, como que caçoando, “Nunca mais!”.
A raiva que passa pelo medo. O homem sai de onde estava e com fúria encara a criatura infernal. Como ousa acabar com tudo, com a ilusão, que solenemente substituía a loucura e a solidão, com palavras tão secas e tão cruas. O olhar fatal do pássaro queima os pensamentos criando uma onda de desespero. E diz, “Nunca mais”.
O desespero toma conta do homem, totalmente, que grita sem ao menos conseguir respirar, com seu coração estourando em seu peito: “Volte ao seu lugar, corvo infernal! Saia de meu quarto, volte ao vento, saia de minha cabeça! Livre minha alma!”. Grita e aos poucos perde a força, caindo no chão, de onde levantar-se-á nunca mais!

[...] Sem mais, com vocês, O Corvo. [...]
Nosso Corvo « Palavras e Lasers! disse isso em junho 20, 2009 às 12:26 am |
[...] Paralelamente, participei da criação de vídeos com um grupo qualificado, onde cada um tem sua especialidade. Assim, surgiram trabalhos dignos de Oscar (ok, nem tanto), com destaque para O Corvo. [...]
2009 « Palavras e Lasers! disse isso em dezembro 29, 2009 às 5:57 pm |
Oscar … claro …